quarta-feira, 5 de maio de 2010

O batom invade o escritório

Poucas são as certezas num mundo que vive revoluções simultâneas, principalmente após a chegada das plataformas digitais, que invadem praticamente todos os ambientes de trabalho. O filósofo americano Marshall Berman, que nasceu em 1940, chegou a dizer, no século passado, que “Tudo o que é sólido desmancha no ar”. Mal sabia ele, na época, que a ideia de solidez se desmancharia ainda mais no novo milênio.

Entretanto, uma das poucas certezas é a consolidação do papel feminino nas mais diversas atuações profissionais. Isso no mundo inteiro - e também no Brasil. A mulher entra no mercado para ficar, e vai ganhando espaço crescente, num processo vigoroso e irreversível, capaz de desmoronar e refazer antigas estruturas sociais e econômicas.

Para se ter uma ideia, num período de 30 anos, entre 1976 e 2007, o batom e a saia passaram a representar nada menos que 32 milhões de novos postos de trabalho no Brasil. Em 76, 29% das mulheres trabalhavam e, na virada do século, 40% ou estavam trabalhando ou procurando emprego. Resultado: em 2007, mais da metade do público feminino já arregaçava as mangas pelo seu próprio sustento, sendo 53% em franca atividade.

Tudo isso impacta em mudanças. Porque um enorme contingente de mulheres que antes viviam como donas de casa e agora estão trabalhando faz desmanchar um modelo patriarcal que era sólido. Abrem-se novos tipos de trabalho, porque com o pai e a mãe trabalhando é preciso alguém para cuidar dos filhos e da casa. E com a mulher na ativa todos os dias (e recebendo seu próprio salário), cria-se um novo público consumidor (ou, de consumidoras), que almoça fora, que pega táxi, precisa ter seu próprio carro, que compra mais roupas e acessórios, fica mais em hotéis, faz viagens de negócios.

Tal qual a Revolução Francesa mudou os conceitos de Estado, separando-o dos preceitos religiosos, a revolução feminina impõe um novo padrão sócio-econômico, que, do ponto de vista das novas oportunidades, é um horizonte aberto e convidativo. Para quem fabrica, para quem presta serviço e para quem vende, todos desafiados a entender e atender melhor essa nova consumidora, perspicaz, intuitiva e com muito mais poder de decisão.

No meu facebook (http://www.facebook.com/profile.php?id=1053837747&ref=profile), um belo vídeo sobre a mulher.

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