Comissão da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, 14, uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que volta a tornar obrigatório o diploma para a profissão de jornalista. O próximo passo é a matéria ser apreciada pelo plenário do Congresso e, se aprovada, todo jornalista deverá ter diploma universitário para o exercício da carreira.A obrigatoriedade do diploma havia caído em junho do ano passado, após julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal) a uma ação que pedia sua derrubada. A alegação do relator do processo, ministro Gilmar Mendes, foi de que a obrigatoriedade do diploma fere a liberdade de expressão. Mendes polemizou o assunto, comparando jornalistas a cozinheiros, dizendo que ambos não precisam de faculdade para exercer suas funções.
Essa questão é complexa e tem deixado muitos estudantes confusos. Imagina-se que, não sendo obrigatório ter o diploma, as faculdades de jornalismo passam a ser desnecessárias e isso não procede. As empresas continuam contratando profissionais formados e não é só o jornalismo que não tem o diploma como obrigatório para o exercício da profissão (a publicidade, por exemplo, nunca teve o diploma exigido por lei, apesar de o curso universitário ser fundamental para a formação de um bom profissional).
O grande desafio não só ao jornalismo mas a todas as outras carreiras é a boa formação. Universidades devem investir na qualidade do ensino, assim como alunos devem criar seu projeto de vida de forma a buscar o melhor curso e aproveitar todas as portas que o meio acadêmico abre para o mercado de trabalho.
Com ou sem diploma obrigatório, os meios de comunicação, repartições públicas e empresas diversas onde pode atuar um jornalista continuarão precisando de bons profissionais. Assim como bons restaurantes buscam bons cozinheiros, que, aliás, já estão estudando até em universidades que focam o vasto (e importantíssimo) mundo da culinária.
imagem sxc
2 comentários:
A queda do diploma de jornalista já comemorou um ano e realmente foi uma vitória o retorno da discussão e o "contra-projeto". Realmente causou tumulto nos estudantes de jornalismo, contudo percebe-se que é bem claro que empresas sérias jamais deixariam de contratar profissionais graduados em vez dos não-graduados. Parabéns pelo blog, acompanho sempre!
Como ocorre em todas as áreas o Jornalista é um especialista em generalidades. Para as empresas, talvez seja mais interessante contratar um músico, para apresentar um programa televisivo de música, que domine as técnicas de comunicação na TV e da entrevista. A questão gira em torno da necessidade da especialização. Agora, sem oportunidades no mercado - todos os formados sabem o quão é difícil conseguir emprego na área - fica complicado decidir qual caminho seguir. Com a não obrigatoriedade do diploma, a competitividade entre os formados e os não formados (considerando que estes já atuam em empresas de comunicação) torna-se, diria, desleal.
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