segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Empreender é um ato ético

O mundo discutiu neste mês de novembro, em eventos por diversas cidades (inclusive brasileiras), o empreendedorismo. E para mim é muito claro que empreender é um ato ético, considerando a ética como um conjunto de valores ligados ao bem comum. Sim, ético, e basta olhar à nossa volta para se ter certeza disso. Na própria origem, a palavra nos convida a essa conclusão: empreender vem do infinitivo em Latim “prehendere”, que significa pegar, levar adiante. Ou, trazendo para a realidade do mundo de hoje, segurar um sonho, agarrar uma meta, não deixar escapar um objetivo, perseverar pelos resultados.

Quando mantemos firme um sonho para concretizá-lo da melhor forma, estamos, portanto, empreendendo. No meio corporativo, isso pode ser sinônimo de eficiência. E ser eficiente, dar o melhor de si, é uma atitude de caráter, porque, principalmente no contexto globalizado em que vivemos, nossas ações enquanto profissionais atingem outras pessoas, o que nos torna responsáveis não apenas pelo nosso ato, mas pelo que ele vai impactar na vida de outros seres humanos.

O contrário dessa postura significa prejuízos a todos. Não empreender um projeto, não realizar da melhor forma um trabalho, não se dedicar na concepção, execução, apresentação e entrega de um produto significa prejudicar o próximo. Imagine-se um carro mal concebido e todos os riscos que ele pode gerar a quem comprá-lo. Ou, ainda, uma cirurgia mal feita, uma informação deformada, uma aula mal explicada. Em todas essas atitudes não empreendedoras, há riscos deflagrados pela negligência.

Quando não empreendemos, portanto, quebramos a corrente dos valores mais nobres entre os humanos: compartilhar, interagir, respeitar o próximo por meio da atitude, da decisão de servir a uma causa que não é de um, mas de uma sociedade. Os princípios dessa postura estão em nossas raízes, no ecossistema, ou seja, a natureza já nos ensina ao convívio e à superação pela sobrevivência, ao respeito pelo outro e pelas diferenças que se completam.

A semana global do empreendedorismo fechou com um desafio lançado ao mundo. Desafio que para mim é trabalho diário, por meio do qual vejo nos olhos das crianças e adolescentes contemplados com o ensino do empreendedorismo (em vias de se tornar lei no Brasil) uma esperança real de um país melhor, um mundo melhor, uma humanidade melhor.
Fernando Pessoa nos desafia ao dizer que “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. E completa o belo poema cravando que “Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas nele é que espelhou o céu”. Que busquemos, pois, o horizonte, com mãos fortes e sem medo de dar ao mundo o melhor que temos.

imagem sxc

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